Resumo
A citricultura paulista está sofrendo clara migração das regiões norte e central do estado, tradicionais regiões de plantio de citros que concentram 75% da produção, para novas áreas ao sudoeste, com o intuito de manter competitivo o agronegócio citrícola (Neves et aI., 2007). Essa migração tem como motivos mais importantes: o menor valor da terra na região sudoeste, em comparação com as áreas citrícolas tradicionais, e o menor custo de produção (Neves & Jank, 2006; Tozatti, 2007). A região sudoeste também apresenta como vantagem uma elevada frequência de chuvas, que dispensa a necessidade de irrigação. Essa nova geografia da citricultura paulista submete a cultura a mudanças macroambientais, que certamente irão se refletir em modificações no seu manejo. O clima dessa região é favorável à ocorrência da podridão floral dos citros (Tozatti, 2007), causada por Collefofrichum a cufafum, doença de baixo impacto nas demais regiões citrícolas do estado (noroeste/norte e centro) por sua ocorrência esporádica, mas de grande importância econômica na região sudoeste, devido à sua frequente ocorrência (Feichtenberger et al., 2005). A podridão floral dos citros, por ocasionar queda de até 100% de frutos jovens, torna seu controle mandatório nos locais em que ocorre com frequência. Esse controle tem sido feito com pulverizações preventivas de fungicidas no momento da florada. A premência de pulverização em grandes áreas e em curto espaço de tempo (somente na florada) acarreta um problema logístico importante, pois as aplicações são feitas ininterruptamente, com tratores pulverizando as áreas dia e noite. Os custos diretos (mão de obra, máquinas e insumos) do tratamento químico para a podridão floral são da ordem de US$ 553,00/ha, levando-se em consideração a necessidade de dois tratores para cada 100 ha (Salvo Filho, 1994). O controle preventivo baseado unicamente no estádio fenológico do hospedeiro muitas vezes acarreta exagero de aplicação de fungicidas, com prejuízos de curto prazo ao produtor e de médio e longo prazo ao ambiente. Além disso, a aplicação sequencial de um mesmo princípio ativo no controle de patógenos pode levar à seleção de indivíduos resistentes, com consequente perda de eficiência do fungicida. Para melhorar o manejo da doença e reduzir os custos de pulverização, é fundamental o conhecimento da epidemiologia da podridão floral, com caracterização clara do patossistema na região sudoeste paulista. No entanto, há pouquíssima informação disponível sobre a doença e, em sua maioria, produzida na América Central e na Flórida, EUA. São desconhecidos, por exemplo, o tempo e a forma de sobrevivência do inoculo entre as floradas, os requisitos ambientais para a infecção e a colonização das flores, a variabilidade do inoculo nos pomares e sua especificidade à cultura dos citros, o padrão e a distância de disseminação do patógeno, os fatores ambientais que afetam o progresso da doença no campo e a distribuição espacial das plantas doentes nas várias fases epidêmicas. Com tantas lacunas no conhecimento, não é surpreendente constatar que sistemas de previsão da doença desenvolvidos na Flórida não foram adotados pelos citricultores paulistas e que o controle da doença permanece na forma de pulverizações preventivas de fungicidas, nem sempre eficientes ou necessárias. Os principais objetivos do presente projeto são: (i) caracterizar a distribuição espacial da doença e seu progresso temporal na região sudoeste paulista; (ii) elucidar os diferentes mecanismos que compõem o ciclo da doença, com ênfase na sobrevivência e variabilidade do inoculo e nos mecanismos de infecção e colonização; (iii) testar alternativas ao controle químico vigente e adaptar/validar sistemas de previsão da doença desenvolvidos no exterior. (AU)
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