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Carlota Joaquina, Princesa do Brasil: entre a história e a ficção, um "romance" crítico do conhecimento histórico

Autor(es):

Abreu, Márcia Azevedo de1

Afiliação do(s) autor(es):

1Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Instituto de Estudos da Linguagem. Departamento de História

Tipo de documento: Artigo Científico
Fonte: Revista USP; v. 62, p. 239-262, jul.-ago. 2004.
Área do conhecimento: Ciências Humanas - História
Assunto(s):

Cinema

Resumo
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, de Carla Camurati, produzido em meio a transformações políticas e econômicas sensíveis por que passava o país na primeira metade da década de 90 do século passado, driblando os inúmeros obstáculos econômicos que afetavam o cinema nacional, apropria-se da história luso-brasileira da passagem do século XVIII para o século XIX de modo bastante peculiar: evidencia o tom ficcional, estrangeiro, paródico e infantil que essa apropriação assume e, ao mesmo tempo, desnuda aos olhos do espectador a mediação da linguagem cinematográfica, legitima-se e, finalmente, promove uma crítica ao conhecimento histórico, assumindo uma feição supostamente relativista e moderna, mas na verdade, de base positivista. Em virtude desse seu modo particular de se apropriar da história e em função da recepção do público (e essa responsabilidade não pode ser debitada a Camurati, mas à incompetência nossa, agora como professores de História), o filme, contudo, acaba por confirmar o senso comum e vem reiterar não apenas os ícones da história oficial - como Dom Pedro I - como também um ideal conservador de conhecimento histórico, que ecoa a perspectiva positivista criticada pela própria historiografia. Assumindo uma feição duplamente conservadora, sob a roupagem da paródia e do deboche, protegida pelas lentes ficcionais e estrangeiras dos escoceses, adulto e criança, armada pela ficção, Carlota Joaquina, "romance", não cumpre o propósito pedagógico anunciado pela cineasta na entrevista que concedeu a Prêmio Cláudia. E não cumpre o propósito pedagógico também porque nós, professores, não sabemos analisá-lo adequadamente. (AU)

Processo FAPESP: 02/08710-2 - Caminhos do romance no Brasil - séculos XVIII e XIX
Beneficiário:Márcia Azevedo de Abreu
Linha de fomento: Auxílio à Pesquisa - Temático
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