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Estudo da homeostase do potássio após a administração de concentrado de hemácias no choque hemorrágico: estudo experimental em porcos

Beneficiário:

Instituição: Faculdade de Medicina (FM). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Pesquisador responsável:

Joel Avancini Rocha Filho

Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina
Linha de fomento:Bolsas no Brasil - Iniciação Científica
Processo: 11/20954-3
Vigência: 01 de março de 2012 - 28 de fevereiro de 2013
Resumo
O choque hemorrágico (CH) constitui a segunda causa de mortalidade precoce no trauma, correspondendo a 40% dos óbitos. A estratégiaideal de ressuscitação no CH ainda está para ser determinada, mas é reconhecido que esta deva incluir a prevenção da parada cardíaca, da progressão para o choque refratário e resgate do choque prolongado. Pacientes com CH estão expostoprocessos fisiopatológicos e intervenções terapêuticas, principalmente transfusãosanguínea, que predispõem à hiperpotassemia (hiperK), um dos distúrbios eletrolíticos mais letais.Em nossos estudos anteriores demonstramos que a hiperK acompanha precocemente o CH e o K sérico se correlaciona fortemente com o grau dehipoperfusão e a mortalidade precoce dos animais.Mais que um marcador imediato da gravidade do insulto isquêmico, a presença de hiperK pode significar que o organismo esgotou sua capacidade de manipular o potássio sérico. Esta hipótese do esgotamento da capacidade de homeostase do potássio pode ser um fator crítico na gênese da hiperK póstransfusional e suas complicações.Vários relatos de casos descrevendo parada cardíaca secundária a hiperK relacionada à transfusão de concentrado de hemácias (CHEM) têm sido publicados.A concentração de K na bolsa está relacionada a processos que ocorrem durante as etapas de processamento e estocagem do sangue, sendo diretamente proporcional ao tempo de estocagem e facilmente atinge níveis superiores a 60 mEq/L após 21 dias.Nossa hipótese é que a administração de hemácias estocadas por 21 dias quando administradas em situação de CH está associada a aumentos críticos dos níveis de potássio sérico e parada cardíaca dos animais quando comparada com a infusão de hemácia estocadas lavadas ou com curto tempo de estocagem.Objetivo: Avaliar os efeitos imediatos da transfusão de concentrado de hemácias sobre a homeostase do potássio no resgate do choque hemorrágico comparando os efeitos da administração de hemácias estocadas por 21 dias com aadministração de hemácia estocadas por 21 dias lavadas no momento da administração e com a administração de hemácias com curto tempo de estocagem.Métodos: O estudo utilizará 48 porcos machos da raça Large White com peso entre 25 e 35 kg. Vinte e quatro animais serão utilizados somente como doadores de sangue (animais doadores) e os outros 24 animais (animais receptores) serão alocados em um dos 3 grupos submetidos ao choque hemorrágico e submetidos a ressuscitação volêmica com o sangue previamente coletado e processado dos animais doadores. Os 24 animais receptores serão aleatorizados para receber uma das 3 estratégias de reposição sanguínea testadas (3 grupos com 8 animais cada grupo): Grupo 1 - CHEM estocadas por 21 dias; Grupo 2 - CHEM lavado estocadas por 21 dias; Grupo 3 - CHEM estocadas por 2 a 5 dias. Após anestesia, ventilação mecânica e monitorização, o protocolo de CH se iniciará com a retirada de sangue em ritmo de 50 a 70 mL/min, ajustada para alcançar pressão arterial média (PAM) de 40 mm Hg em 25 minutos. Subseqüentemente os animais serão submetidos à reposição sanguínea selecionada pela aleatorização com volume igual ao retirado para induzir o choque hemorrágico.Os animais serão estudados em 8 momentos: basal, nos níveis de PAM de 60 e 40 mm Hg, e aos 2, 5, 10, 20 e 30 minutos do período após a reposiçãosanguínea. Variáveis analisadas: análise gasométrica dos animais e da bolsa de CHEM; análise bioquímica (Hb, Ht, K, Ca, Na, lactato, glicemia) dos animais e da bolsa de CHEM; dosagem de hemoglobina livre e haptoglobina (bolsa de CHEM e dos animais imediatamente antes e após a reposição sanguínea); análise hemodinâmica (ECG, FC, PAM, CaO2, CvO2, SvO2); dosagem sérica de TNF±, IL-6 e IL-10; mortalidade. (AU)
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