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Modo de vida das primeiras populações complexas dos Andes Centrais: perspectivas bioarqueológicas do processo de complexificação social em Caral, a mais antiga cidade da América

Processo: 17/17580-0
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Apoio a Jovens Pesquisadores
Vigência: 01 de fevereiro de 2018 - 31 de janeiro de 2022
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Arqueologia - Arqueologia Pré-histórica
Pesquisador responsável:Luis Nicanor Pezo Lanfranco
Beneficiário:Luis Nicanor Pezo Lanfranco
Instituição-sede: Instituto de Biociências (IB). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Pesq. associados: André Carlo Colonese ; Celia Helena Cezar Boyadjian ; José Filippini ; Sabine Eggers ; Veridiana Teixeira de Souza Martins
Bolsa(s) vinculada(s):18/05940-5 - Modo de vida das primeiras populações complexas dos Andes Centrais: perspectivas bioarqueológicas do processo de complexificação social em Caral, a mais antiga cidade da América, BP.JP
Assunto(s):Bioantropologia  Bioarqueologia  Modo de vida  Andes  Paleodieta 

Resumo

Dando continuidade a uma linha de pesquisa de mais de 10 anos e projetos anteriores (FAPESP 2011-50339-9; FAPESP 2013-14799-0; FAPESP 2015-051339), a presente proposta visa avaliar, do ponto de vista bioarqueológico, a relação entre processos de complexificação social e fenômenos de mudança biológica em populações humanas assentadas entre 3400-1500 a.C. na Costa Centro-Norte do Peru dos Andes Centrais, região batizada como o "berço da Civilização Andina". O conhecimento dos processos de Neolitização nos Focos Civilizatórios do mundo antigo é uma das questões de maior interesse da arqueologia global. O desenvolvimento civilizatório ocorrido na área dos Andes Centrais tem seus antecedentes em populações costeiras com impressionantes sinais de monumentalidade, como expressão de territorialidade e sedentarismo, desde o terceiro milênio a.C. Hipoteticamente baseadas numa subsistência predominantemente marinha, estas sociedades teriam desenvolvido complexos sistemas de organização sócio-política que culminaram em Estados e Impérios. No entanto, novas descobertas sugerem que uma agricultura mais precoce teria embasado este processo. Ao momento, estas hipóteses são difíceis de contrastar e devido à falta de estudos bioarqueológicos. Pouco se conhece sobre os efeitos biológicos que as mudanças na vida cotidiana, dieta e relações interpessoais teriam produzido nos próprios indivíduos. Para ampliar a discussão sobre as adaptações de estas populações em estágio de "complexificação incipiente", este Projeto pretende determinar os "custos biológicos" dos fenômenos associados à complexificação social e definir, em perspectiva diacrônica de nível regional, quais fatores foram os mais determinantes na sua trajetória. Através de uma abordagem interdisciplinar, o presente Projeto propõe o estudo da categoria bioarqueológica "modo de vida" em indivíduos escavados no sitio arqueológico Caral, "a cidade mais antiga da América" (2900-1600 a.C.), e outros assentamentos do vale de Supe, Costa Centro-Norte do Peru, datados entre o 3º e 1º milênios antes de nossa Era. O projeto inclui três frentes de pesquisa: 1) análises morfológicas (análise bioantropológica, análise paleopatológica, análise de patologia oral, análises morfológicas de biodistância), 2) análises arqueométricas (datações 14C AMS dos contextos funerários, análise de isótopos estáveis para reconstrução de dieta e padrões de mobilidade, análise de micro-restos botânicos conteúdos em cálculo dental, análise paleogenético-molecular) e 3) prospecção de novos contextos funerários. Por tratar-se de um dos sítios arqueológicos mais importantes do mundo, a bioarqueologia de Caral e do vale de Supe é uma linha de pesquisa muito promissória e deve render importantes perspectivas sobre o processo de neolitização regional, além de grande visibilidade institucional. (AU)