Auxílio à pesquisa 17/11817-9 - Amazônia, Sítios arqueológicos - BV FAPESP
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A arqueologia do Holoceno Médio e o início da domesticação de paisagens no Sudoeste da Amazônia

Processo: 17/11817-9
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Vigência: 01 de outubro de 2017 - 30 de setembro de 2018
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Arqueologia - Arqueologia Pré-histórica
Pesquisador responsável:Eduardo Góes Neves
Beneficiário:Eduardo Góes Neves
Instituição-sede: Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Pesq. associados:Anne Rapp Py-Daniel ; Carlos Augusto Zimpel Neto ; Fernando Ozorio de Almeida ; Francisco Antonio Pugliese Junior ; Gabriela Prestes Carneiro ; Guilherme Zdonek Mongeló ; Jennifer Watling ; Laura Pereira Furquim ; Myrtle Pearl Shock ; Silvana Zuse ; Thiago Kater Pinto ; Tiago Hermenegildo ; Ximena Suarez Villagran
Assunto(s):Amazônia  Sítios arqueológicos  Holoceno  Alteração ambiental  Indígenas  Rio Madeira 

Resumo

Há atualmente um intenso debate sobre o papel exercido sobre as populações indígenas do passado na transformação da natureza e criação de paisagens na Amazônia. A maioria dos arqueólogos aceita a hipótese de que a Amazônia foi profundamente modificada no passado, conforme se pode verificar pela distribuição de sítios arqueológicos de grande porte distribuídos por toda a região. Tais modificações tornaram-se visíveis a partir de cerca de 2.500 AP, quando passa ser notável a formação de solos antrópicos, correlatos do estabelecimento de ocupações sedentárias e permanentes, conhecidos como terras pretas. No início do século XVI DC, quando se iniciou a colonização européia, a Amazônia estaria tão antropizada a ponto de se considerá-la como composta por paisagens domesticadas ao longo de séculos pelos povos indígenas. Posteriormente, com a extrema redução demográfica resultante da colonização, áreas anteriormente ocupadas foram recobertas por florestas. No entanto, não está ainda claro quando esse processo de domesticação se iniciou: tratou-se de um movimento súbito, o que explicaria o aumento aparentemente repentino da visibilidade arqueológica dos elementos a ele associados a partir de 2.500? Ao contrário, teria tido tal processo uma longa história, remontando ao Holoceno médio (7.000 - 3.000 AP) ou mesmo antes? Tal pergunta não pode ser ainda respondida com certeza porque há poucas regiões na Amazônia com registros arqueológicos bem preservados que recuem ao Holoceno médio. Dentre as poucas regiões com evidências contínuas de ocupação humana na Amazônia ao longo do Holoceno está a bacia do alto rio Madeira e seus formadores, no que corresponde atualmente ao Estado de Rondônia. Além das longas sequências de ocupação, a bacia do alto rio Madeira apresenta também outras características notáveis que a tornam importante para pesquisas arqueológicas: trata-se de um centro independente de domesticação de plantas como a pupunha, mandioca e o amendoim, é a região onde se verifica a maior diversidade linguística entre as populações indígenas de toda a América do Sul) e também é aceita como o suposto centro de origem das línguas Tupi. Este projeto solicita recursos para dar continuidade às pesquisas que temos realizado com uma equipe multidisciplinar no alto Madeira. O objetivo é abertura de escavações em superfícies amplas de dois sítios onde se identificaram contextos bem preservados do Holoceno Médio: Teotônio, um sítio a céu aberto, e Monte Castelo, um sambaqui fluvial. O projeto trabalha com a premissa de que os resultados das pesquisas nos sudoeste da Amazônia podem ter um valor que ultrapassa a antropologia das populações do alto Madeira, contribuindo para a formulação de hipóteses mais amplas sobre a longa história de ocupação humana da bacia Amazônica. (AU)

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