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Entre o 'encardido', o 'branco' e o 'branquissimo' : raça, hierarquia e poder na construção da branquitude paulistana

Pesquisador responsável:

Lia Vainer Schucman

Beneficiário:

Instituição-sede da pesquisa: Instituto de Psicologia (IP). Universidade de São Paulo (USP). São Paulo, SP, Brasil
Área do conhecimento:Ciências Humanas - Psicologia - Psicologia Social
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Publicações científicas - Livros no Brasil
Processo: 13/08937-1
Vigência: 01 de outubro de 2013 - 30 de setembro de 2014
Assunto(s):

Racismo

Resumo
O objetivo da pesquisa que transformou-se neste livro foi compreender e analisar como a ideia de raça e os significados acerca da branquitude são apropriados e construídos por sujeitos brancos na cidade de São Paulo. A branquitude é entendida aqui como uma construção sócio-histórica produzida pela ideia falaciosa de superioridade racial branca, e que resulta, nas sociedades estruturadas pelo racismo, em uma posição em que os sujeitos identificados como brancos adquirem privilégios simbólicos e materiais em relação aos não brancos. Para a realização deste trabalho apresento uma abordagem conceitual dos estudos sobre branquitude dentro da psicologia social e das ciências humanas. Apresento também seus desdobramentos para o entendimento do racismo contemporâneo, bem como revisão teórica de como o conceito de raça foi produzido a partir do pensamento acadêmico europeu do século XIX e reproduzido no pensamento social paulistano. A pesquisa de campo foi desenvolvida por meio da realização de entrevistas e conversas informais com sujeitos que se auto identificaram como brancos de diferentes classes sociais, idade e sexo. Nosso intuito era compreender a heterogeneidade da branquitude nesta cidade. As análises demonstraram que há por parte destes sujeitos a insistência em discursos biológicos e culturais hierárquicos do branco sob outras construções racializadas, e, portanto, o racismo ainda faz parte de um dos traços unificadores da identidade racial branca paulistana. Percebemos também que os significados construídos sobre a branquitude exercem poder sobre o próprio grupo de indivíduos brancos, marcando diferenças e hierarquias internas. Assim, a branquitude é deslocada dentro das diferenças de origem, regionalidade, gênero, fenótipo e classe, o que demonstra que a categoria branco é uma questão internamente controversa e que alguns tipos de branquitude são marcadores de hierarquias da própria categoria. (AU)
Matéria(s) publicada(s) na Agência FAPESP sobre o auxílio:
Racismo e “branquitude” na sociedade brasileira

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