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A punção subaracnóidea sobre tatuagem determina alterações histológicas sobre o tecido nervoso medular e as meninges?

Pesquisador responsável:

Eliana Marisa Ganem

Beneficiário:

Instituição-sede da pesquisa: Faculdade de Medicina (FMB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu, SP, Brasil
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Cirurgia
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Processo: 11/08906-3
Vigência: 01 de agosto de 2011 - 31 de julho de 2012
Assunto(s):

Anestesiologia

Resumo
O hábito de tatuar o corpo faz parte da cultura de muitos povos ao redor do mundo, há muito tempo e, nos primórdios da civilização se relacionavam a rituais médicos, mágicos, de guerra e também marcavam etapas da vida, como o nascimento, a puberdade, a fase reprodutiva e a morte. Contudo, a partir do início dos anos 1990 passou a ser utilizada por alguns grupos sociais e em faixa etária determinada como uma forma de arte no corpo. A técnica da tatuagem consiste em depositar o pigmento da tinta na derme. O pigmento que permanece no tecido fibroso da derme é o reponsável pela coloração da tatuagem. Os pigmentos podem conter componentes orgânicos e inorgânicos, metais e solventes. Há grande variação na composição química destes o que dá origem às diferentes cores. Muitos pigmentos não foram destinados para serem administrados em seres humanos, outros sequer são regulamentados pelas agências federais para essa finalidade. O corante dos pigmentos pode causar reações agudas ou crônicas na pele. Nos Estados Unidos, 25 % da população com idades entre 24 e 50 anos possuem tatuagens sendo que destes, aproximadamente 50% são mulheres. Este fato é preocupante porque muitas mulheres estão em idade fértil e podem, em algum momento, serem submetidas à anestesia do neuroeixo. Como a localização das tatuagens é bastante variada não é raro que estajam situadas na região lombar e sacral. Pouco se conhece sobre as possíveis implicações da introdução de uma agulha para realização de anestesia regional sobre uma pele tatuada. Alguns autores questionam se o pigmento contido na tatuagem poder desencadear aracnoidite química. Muito pouco é descrito sobre a possibilidade de complicações neurológicas que ocorreram após anestesia do neuroeixo cuja punção foi realizada no interior de pele tatuada. Apesar de não exitir, até os dias atuais, evidências documentadas ou provas científicas que apoiem a hipótese de que os pigmentos da tatuagem possam causar aracnoidite ou outras complicações neurológicas, o princípio da precaução orienta que se evite a punção em cima de uma pele tatuada. O objetivo desta pesquisa será avaliar se a punção subaracnóidea realizada sobre a pele tatuada de coelhos determinaria alterações histológicas no tecido nervoso medular e nas meninges. Metodologia: Após a aprovação da Comissão de Ética em Experimentação Animal serão utilizados 30 coelhos adultos jovens, machos, da raça Grupo Genético de Botucatu com pesos entre 3500 e 4500g e comprimento de coluna vertebral entre 38 e 40 cm fornecidos pelo Biotério da Faculdade de Medicina de Botucatu. Os animais serão divididos em 3 grupos (G): G1 punção subaracnóidea sobre tatuagem, G2 punção subaracnóidea sobre tatuagem e injeção de solução fisiológica e G3 punção subaracnóidea e injeção de solução fisiológica. Após anestesia venosa com xilaziana e cetamina os animais de G1 e G2 serão tatuados e após 30 dias, sob a mesma anestesia será realizada a abordagem do espaço subaracnóideo (agulha de Quincke 22G 21/2), no espaço intervertebral entre a primeira e a segunda vértebra sacral guiada por ultrassom. Os animais de G2 e G3 receberão as soluções correspondentes em volume em volume de 5 ¼l por centímetro de coluna vertebral ( 0,2 ml) (espaço medido entre a base do crânio e o espaço lombossacro) e os de G1 apenas será realizada somente a punção subaracnóidea e após a punção será injetado, através da agulha, 1 ml de solução fisiológica, sobre lâmina histológica para realização de esfregaço, que será corado pelo método de Giemsa, para possível identificação do tecido, caso esteja presente. Os animais serão avaliados, clinicamente, quanto a sensibilidade e motricidade por 6 meses após os quais serão sacrificados por decaptação sob anestesia e retirada a porção lombar e sacral da medula espinhal para exame histológico por microscopia óptica. (AU)

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