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Avaliação dos efeitos da associação da espironolactona à farmacoterapêutica convencional em pacientes com doença renal crônica

Pesquisador responsável:

Luis Cuadrado Martin

Beneficiário:

Instituição-sede da pesquisa: Faculdade de Medicina (FMB). Universidade Estadual Paulista (UNESP). Campus de Botucatu. Botucatu, SP, Brasil
Área do conhecimento:Ciências da Saúde - Medicina - Clínica Médica
Linha de fomento:Auxílio à Pesquisa - Regular
Processo: 10/10439-1
Vigência: 01 de dezembro de 2010 - 30 de novembro de 2013
Assunto(s):

Nefrologia

Nefropatias

Doença crônica

Hipertrofia ventricular esquerda

Espironolactona

Hemodiálise

Resumo
Vários estudos apontam o elevado risco cardiovascular de pacientes com Doença Renal Crônica (DRC). A DRC apresenta intrínseca relação com hipertensão arterial e cardiomiopatia, sendo essa última caracterizada principalmente por hipertrofia ventricular esquerda (HVE) e fibrose intersticial, importantes preditores de mortalidade cardiovascular nos portadores de DRC. Ademais, a reversão da HVE é associada a aumento da expectativa de vida nesses pacientes. O sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) desempenha um papel importante no controle da pressão arterial. Mesmo em pacientes em uso de inibidores da enzima conversora ou de bloqueadores de angiotensina II, pode ocorrer o fenômeno conhecido como ruptura do bloqueio da aldosterona (inapropriadamente chamado de escape da aldosterona). Esse fenômeno é documentado em portadores de cardiopatia, bem como em renais crônicos. A espironolactona é um esteróide sintético que atua como antagonista da aldosterona e que, historicamente, tem seu uso evitado em pacientes com DRC, dado o risco de hipercalemia. Contudo, seu metabólito ativo, a canrenona, bem como a espironolactona, são capazes de antagonizar a ligação da ouabaína ao seu receptor na bomba de Na+/K+-ATPase. A ouabaína endógena atua como ligante na Na+/K+-ATPase, o que resulta em alteração nos gradientes de sódio, e aumenta o influxo de cálcio através do transportador de Na+/Ca+ em regiões específicas da membrana. O aumento do influxo de Ca+ e a contração resultante são determinantes para a elevação da resistência vascular total periférica e conseqüente aumento da pressão arterial, bem como para os processos de hipertrofia ventricular e vascular. A espironolactona e a canrenona, em pesquisas anteriores, foram capazes de reverter a HVE de pacientes com DRC em tratamento conservador, o que faz delas potenciais ferramentas para o tratamento dessa complicação. O objetivo do presente estudo é observar a segurança, tolerabilidade e eficácia na reversão de lesões de órgãos-alvo do uso de espironolactona, acrescentada à terapia antihipertensiva convencional de pacientes com DRC em hemodiálise, além de mensurar sua capacidade em reduzir a HVE e os índices de rigidez arterial. Delineamento: será realizado estudo de intervenção, unicêntrico, randomizado, duplo-cego, placebo-controlado composto por dois grupos: um que fará uso de 12,5mg ou 25mg de espironolactona associada à terapia antihipertensiva convencional e outro que usará placebo de espironolactona 12,5mg ou 25mg associado à terapia antihipertensiva convencional. Cada grupo será composto por 30 pacientes. Exames clínicos e laboratoriais, bem como monitorização residencial da pressão arterial (MRPA), ecocardiografia, determinação da velocidade da onda de pulso, do índice de amplificação, da pressão arterial central e mensuração dos níveis séricos de ouabaína endógena e aldosterona serão os instrumentos de avaliação a serem utilizados antes e ao fim do tratamento que terá duração de 12 meses. (AU)

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