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Publicado em: Lumière (Entrevista) em 1 de Abril de 2007

Será o fim da crise na iluminação pública

Dona do maior parque de iluminação pública instalado no mundo, com 530 mil pontos instalados, a cidade de São Paulo vive hoje uma grave crise no setor de iluminação urbana. O tema é líder de reclamações na Ouvidoria da Prefeitura da cidade de São Paulo, conforme relatório divulgado em março de 2007. De acordo com o documento, durante o ano de 2006 foram registradas 20.341 mil reclamações.
A situação fica mais complicada visto o tamanho e a complexidade da rede da capital. Os 530 mil pontos estão distribuídos em 17 mil quilometros de rede. A Cidade do México, por exemplo, tem 350 mil pontos, Nova Vorlc tem 320 mil pontos, o Rio de Janeiro tem aproximadamente 300 mil pontos e Los Angeles por volta de 230 mil pontos.
Dos 530 mil pontos instalados na cidade de São Paulo, loa mil foram eficientizados nos últimos três anos. Contudo, ainda há z mil pontos com lâmpadas a vapor de mercúrio, que consomem mais energia.
Entretanto, parece que há uma luz no fim desse túnel. Após muita turbulência política, o Departamento de Iluminação Pública da cidade de São Paulo (Ilume) tem, enfim, um novo diretor. D engenheiro Walter Bel assume o cargo comum grande desafio: evitar um apagão" no maior parque instalado do Pais.
Walter Bellato é formado em engenharia pela Universidade de São Paulo (USP) e administração de materiais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Fez pós-graduação em arquitetura na USP e pós-graduação em sociologia política na Pontifícia Universidade Católica (PUC). Bel foi pesquisador pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) na área de aplicação de metodologias sistêmicas e pesquisador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), na área de modelagem matemática aplicada. Ocupou cargos de direção em empresas privadas na área de construção civil e de administração de materiais e foi um dos fundadores do Instituto de Mediação.
Ele assumiu o cargo em 12 de janeiro com a promessa de conferir mais tranqüilidade ao Ilume e continuidade aos projetos, visto a instabilidade política pela qual o órgão passou nos últimos anos.
Para se ter idéia, em dois anos, passaram quatro diretores no cargo. De janeiro a fevereiro de 2005, o engenheiro Paulo Candura foi diretor interino do Ilume. Após ele, o engenheiro António Simões Garcia assumiu a direção e ficou no cargo de fevereiro a junho de 2005. Em seguida, o engenheiro Eduard Robert Schuch assumiu o cargo, no qual ficou entre junho de 2005 a outubro de 2006. Ele foi sucedido pelo economista Dorivaldo Andrade Ribeiro, que foi responsável pelo Ilume durante três meses, até a posse de Bel o quinto diretor que o Ilume teve entre 2005 e 2007.
Mas toda essa instabilidade, garante o novo diretor, é passado, ser sincero, eu foco no futuro e no presente, de acordo com o que eu diagnostiquei. Procurei entender o sentido do Ilume, o sentido de sua existência, como gerira rede de iluminação de São Paulo e os três principais eixo se sentidos do llume" diz Walter Belatto. Na entrevista a seguir, ele conta com exclusividade à Revista Lumiêre como enfrentará este desafio para garantir assim mais segurança, acessibilidade e tranqüilidade nas ruas paulistanas.

Como você explica o número recorde de reclamações contabili zadas pela Ouvidoria da prefeitura?
A quantidade de reclamações é proporcional ao tamanho do parque e de sua complexidade. Também decorre do fato de a iluminação ser muito presente na vida, na segurança e no conforto visual e noturno do munícipe sob o ponto de vista da segurança viária. Além disso, é serviço absolutamente presente em toda a cidade de São Paulo, o que faz com que qualquer problema seja mais visível. Temos de levar em consideração que o telefone i está disponível apenas para reclamações da iluminação pública, os outros serviços são basicamente de orientação.

Em relação a outras cidades com grandes parques, o número de reclamações é elevado?
Comparando com a "Cidade Luz", quando o índice de falha de Paris fica abaixo de 0,95% dos pontos da rede, é concedida uma bonificação para a empresa terceirizada, que faz a manutenção das redes. De 0,95% a 1,3% nada é feito, colocando-se de forma indiferente ao terceirizado. Acima disso, é aplicado um deflator sobre o faturamento mensal da empresa terceirizada, que pode ser de 2% a %. Em São Paulo, o deflator aplicado é de 4%. Ressalta-se que Paris possui uma eficiência sofisticada, com um sistema de relógio solar pelo qual todas as lâmpadas se apagam e se acendem ao mesmo momento. Existe uma gestão e um cadastro georeferenciário muito sofisticados. Já na gestão de manutenção em São Paulo, atualmente, existe um contrato com um consórcio com duas empresas que fazem a manutenção. As empresas se organizam em seis áreas informais e se dividem em 90 equipes com cerca de 300 pessoas que trabalham nas ruas.

A assinatura do convênio com o Reluz é uma resposta ao alto número de reclamações?
Não. Já era uma vontade política do prefeito Gilberto Kassab e do secretário Dimas Ramalho e vem também ao encontro dos anseios de melhorar o nível de satisfação do munícipe por meio dos índices da Ouvidoria. Já existia uma vontade política de rejuvenescer a rede e o programa também tem como função melhorar os indicadores, em razão da manutenção da rede. À proporção que se rejuvenesce a rede que possui trechos com mais de 30 anos, consegue-se fazer uma manutenção mais eficiente e resolver problemas como os de ordem sazonal. Por exemplo, em épocas de chuva, quando a umidade do ar é alta, nas podas de árvores os galhos batem em fios que estão desencapados pelo envelhecimento do material. Esses choques fazem cair ou desarmar uma chave protetora que funciona como um disjuntor comum residencial. Ele apaga todo o circuito de até um quilômetro de lâmpadas, no qual está vinculada essa chave. Conforme se rejuvenesce e recupera a rede, estamos basicamente facilitando o serviço de manutenção com uma rede que funciona melhor e que está o maior tempo possível com todo seu parque iluminado na hora adequada, dando um nível melhor de satisfação para o cidadão, que é em última instância nosso objetivo.

No que consiste o convênio assinado com o Reluz?
A nova fase do Reluz proporcionará uma diminuição no consumo de energia por volta de um milhão de reais por mês. Esse valor é muito significativo. O Reluz nessa nova fase contempla 150 mil pontos a serem eficientizados, já com suporte orçamentário. É o maior projeto de eficientização luminosa que se tem notícia no mundo. É uma operação de guerra, como se estivéssemos refazendo Paris. Essa nova fase do Reluz, pretendemos concluir até o final de 2007.

O que já foi executado até agora?
Ainda temos 250 mil lâmpadas a vapor de mercúrio de i 250W e 4ooW na cidade. Com o Programa Reluz serão substituídas 150 mil lâmpadas até dezembro de 2007 e serão instalados mais 100 mil novos pontos por determinação do prefeito Gilberto Kassab, que está empenhado e sensibilizado com a questão da manutenção da iluminação. Com isso, vamos praticamente erradicar as lâmpadas a vapor de mercúrio em São Paulo entre 2007 e 2008. Essa nova etapa de obras do Reluz começou na cidade oficialmente no dia 26 de abril, mas as equipes já estavam nas ruas em processo de treinamento semanas antes. São 300 pessoas envolvidas no trabalho de campo e cerca de 450 empregados indiretos. Também temos o Programa de Ampliação, que implantará 22 mil novos pontos. Foram implementados sete mil pontos entre 2006 e fevereiro de 2007, porém ainda faltam 15 mil pontos que serão implantados entre outubro e dezembro deste ano.

Como é feita a escolha das empresas que fornecerão os produtos para a implementação do Reluz?
Isso fica a critério da AES Eletropaulo. Isso consta no contrato que ela tem com a Eletrobrás e são regras específicas e internas da estrutura de organização da AES Eletropaulo. A prefeitura se coloca na posição de gestora, no sentido de dizer onde serão implementadas as intervenções, e cuida da qualidade do Pro grama. Além disso, também cuidamos dos materiais aplicados que devem estar de acordo com os materiais homologados pela prefeitura. São materiais padronizados, testados e homologados dentro de um processo muito rigoroso de qualidade. O material para a execução do projeto é comprado gradualmente. Uma par te dele já foi comprada pela Eletropaulo e é suficiente para três meses de trabalho. A empresa fornecedora é a Conecta e não há necessidade de licitação para esse tipo de operação comercial.

Quais são as metas do Reluz?
O Programa Reluz é um programa concebido pela Eletrobrás com o financiamento dela própria com a concessionária local, que é a AES Eletropaulo. A prefeitura, na condição de beneficiária, tem um contrato espelho com a AES Eletropaulo, responsável pela contratação da empresa que faz a implementação do Reluz nas ruas. A Eletrobrás financia a AES Eletropaulo que refinancia a prefeitura de São Pauto com o projeto Reluz. O Reluz tem de atender dois objetivos muito claros: iluminar mais e melhor e reduzir o consumo de energia ao mesmo tempo. O projeto Reluz substitui as lâmpadas menos eficientes por outras mais eficientes. Uma lâmpada a vapor de mercúrio de 100W pode ser trocada por uma a vapor de sódio de 70W, reduzindo o consumo em 30% e ao mesmo tempo aumentando a capacidade de iluminação, por exemplo. Também há aspectos relativos à sombra na iluminação com lâmpadas a vapor de sódio. A sensação que se tem após a eficientização é de uma iluminação muito melhor, que proporciona maior conforto sob o ponto de vista de segurança do indivíduo. A zona de transição de sombra é muito mais suave, proporcionando uma maior uniformidade luminosa na superfície.

Como é o financiamento do programa?
Funciona basicamente da seguinte forma: 25% do valor é pago pela prefeitura a titulo de contrapartida. Os 75% restante do valor é financiado pela Eletrobrás e pago em 36 vezes, em parcelas mensais, iguais e sucessivas a uma taxa de remuneração de 5°/o ao ano.

Como as áreas a serem eficientizadas serão escolhidas?
Existem critérios econômicos, financeiros e técnicos da Eletrobrás que têm de ser contemplados, que é o RDC. É a clássica relação de custo-benefício. É importante que se priorize intervenções em áreas onde a redução de consumo seja mais significativa, por exemplo, em locais onde as lâmpadas a vapor de mercúrio sejam muito potentes. Adotaremos ainda outros critérios de caráter social. Pretendemos que haja uma isonomia entre o que a Eletrobrás requer e o que é importante para o município de São Paulo.

Além dos critérios técnicos, o que mais será levado em conta?
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) será uma referência. Nesse índice estamos contemplando taxa de mortalidade por acidentes viários e por conflitos de rua, densidade populacional, índice de vulnerabilidade social juvenil, regiões de escolas noturnas que estejam buscando desenvolver programas com analfabetos funcionais, áreas centrais com população de rua como Sé, Brás e República. Esses e outros indicadores estão contemplados como modelos para a lista de prioridades.

Qual será o destino do dinheiro economizado com a eficientização do parque?
O valor será destinado para trocas de equipamentos de iluminação e também pode ser usado para pagar o financiamento da Eletrobrás.

A iluminação pública tem uma ligação direta com a questão da segurança, certo?
Sim, tanto que o Reluz é um programa de segurança nacional e tem efeito direto na segurança pública. Está muito voltado para os cidadãos que saem para trabalhar às quatro horas da manhã e voltam pra casa após as dez da noite. Estima-se que existam dois milhões de pessoas nessa condição. Para chegar a esse número, estamos contemplando os valores médios de viagens de ônibus no município de São Paulo nesse horário. Salienta-se que nós adotamos como unidade de estudo para esse projeto os distritos. São 96 distritos e as intervenções serão feitas com base em tal dado.

O Ilume possui algum estudo sobre o impacto da iluminação no trânsito e na criminalidade?
Não temos estudos, mas há indicativos muito fortes de que nos últimos programas realizados houve uma redução de criminalidade em São Paulo. O amparo que a população sente aumenta á proporção que existe uma iluminação eficiente ao redor das escolas, praças, vielas e dos logradouros.

A chamada "taxa da iluminação pública" causou muita polêmica em sua implantação. Como está sendo usado esse recurso?
Ela faz parte do orçamento do llume. A Contribuição para Custeio do Serviço de Iluminação Pública (Cosip) alimenta o Fundo de Iluminação Pública e o tesouro do município vem complementar o orçamento do llume. A Cosip não é suficiente, é necessária uma provisão suplementar. Atualmente a Cosip arrecada cerca de R$ 14 milhões por mês e representa 70% do orçamento, estimado em R$ 230 milhões para 2007. Para suprir as necessidades do Ilume, seria necessário aumentar a taxa em cerca de 30%. O que poderíamos fazer é verificar quem utiliza mais a iluminação noturna, como bares e danceterias, e cobrar uma contribuição maior de tais lugares, o que seria mais justo.

Você acha então que deveria aumentar a Cosip?
Veja bem, iluminação pública é um serviço caro e a taxa da Cosip é muito baixa para os padrões mundiais: são R$ 3,50 por família, para pessoa física, e R$ 2,50 para as empresas, cobrada na conta de luz. Para se ter uma idéia, uma família toda, não só uma pessoa, por R$ 3,50 tem iluminação pública com 530 mil pontos acesos, por praticamente um centavo ao dia, ou seja, um pouco mais ao mês do que uma passagem de ônibus. Há quatro anos a Cosip não sofre nenhum reajuste em razão das dificuldades resultantes da realidade nacional, enquanto a taxa de iluminação das ruas subiu 22% nesse mesmo período.

O Ilume tem investido em novas tecnologias?
O que pretendemos fazer primeiramente é atingir os três grandes eixos estratégicos: manter, recuperar e eficientizar. Nós temos muitos problemas para serem resolvidos e pouco dinheiro para isso, então o que pretendemos é, primeiramente, atingir a solução desses três grandes eixos de forma maciça. Por outro lado, realizaremos talvez ainda no primeiro semestre de 2007, um projeto-piloto de inovação tecnológica, como os projetos que existem na Holanda de dimerização da iluminação em trechos rodoviários. Podemos, por exemplo, fazer trechos da Avenida 23 de Maio de acordo com um modelo que contemple três variáveis: fluxo viário, condição de tempo atmosférico e condição de pista. Utilizando essas três variáveis dentro de um modelo matemático, é possível vincular isso a uma faixa de dimerização de 20% a 100%, conseguindo uma economia efetiva de 35% de energia. Esse é um projeto que a Holanda faz com muita competência em rodovias.

Além do projeto de rodovias, que outras inovações vocês estudam? Temos conhecimentos que estão soltos e precisamos organizá-los para não os perder. Por isso, na área de manutenção, pretendemos implantar em 2008 um sistema baseado em um grande cadastro com uma base cartográfica, georeferenciário, com GPS. A idéia é ter dados de cada ponto e com softwares para gerenciar a distância. A experiência com manutenção a prefeitura de São Paulo é muito nova, vem de 1999, pois foram 30 anos com a AES Eletropaulo mantendo a rede. Quando houve a privatização foram três anos de manutenção com seis empresas até 2002, posteriormente com o consórcio até 2006. Nós temos uma experiência de gestão direta na rede de iluminação pública de praticamente oito anos, é muito recente. Não temos ainda um modelo de gerenciamento do que é melhor para São Paulo, mas estamos buscando.

Há ainda um projeto para a formação de equipes, certo?
Sim. Pensamos em fazer um trabalho de formação de técnicos que tenham interesse e habilidade para trabalhar na iluminação pública de São Paulo. Conversaremos com o Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP e com a PUC-RS, com o intuito de implementar projetos. Pensamos em fazer uma parceria contínua, a fim de trocar informações sobre o que existe de novas tecnologias. Também implementaremos cursos técnicos dentro de 30 a 6o dias para pessoas interessadas em iluminação pública. Além disso, estudamos fechar uma parceria com uma ONG para Fazer a capacitação de pessoal e técnicos especializados em iluminação pública. Precisamos renovar as equipes.

Existe um projeto de dimerização que está sendo executado em fase de testes em uma das principais avenidas de Fortaleza. Essa tecnologia não pode ser trazida para São Paulo?
Nós já estamos conversando com Fortaleza (CE). A responsável pelo município é a Citéluz, que tem sede em Salvador (BA). São Paulo pode não só dimerizar como apagar definitivamente luminárias em determinadas regiões como áreas verdes que estão confinadas e gradeadas cujo ecossistema não necessita de luz e alto de minhocões onde não existe tráfico viário em determinadas horas Interviremos em tudo isso. Faremos um mapeamento muito grande para executar uma intervenção muito responsável pensada, sem precipitações, porém muito precisa no sentido de haver uma economia de consumo e maior conforto, racionalização e adequação da gestão da iluminação.

E quando isso será feito em São Paulo?
Certamente faremos em 2007 alguns pilotos nesta vertente tecnológica da dimerização. Ainda não definimos os locais em que esses testes-pilotos acontecerão, mas é um procedimento tão consolidado que eu não posso dizer que não será contemplado dentro dos nossos programas.

Quanto à iluminação pública com Leds? É uma realidade muito distante ainda?
Queremos muito e temos absoluto Fascínio pela tecnologia dos Leds. O que se faz mundialmente com Leds é uma coisa maravilhosa e estamos abertos às empresas e aos fabricantes para que tragam seus produtos para serem homologados, analisados e avaliados. Os materiais homologados podem ser utilizados posteriormente em projetos da prefeitura. Em relação aos Leds, é uma técnica cara, todavia pretendemos realizar um projeto-piloto até o final de 2007.

Existe algum outro projeto em curso, além do Reluz?
Após o Reluz, pretendemos fazer o Projeto de Ampliação. Em 2007, contemplaremos toda a demanda represada para pontos novos de São Paulo. O total de pontos contemplados no Projeto de Ampliação é de 22 mil pontos. Foram feitos em 2006 e no começo de 2007 sete mil pontos. Temos sobrando 15 mil pontos para serem feitos em 2007, mas estamos dentro do prazo que é março de 2008. Anteciparemos esse prazo para dezembro de 2007 e consumaremos toda a demanda represada nesses 15 mil pontos ainda neste ano. Ressalta-se que estamos incutindo para esses novos t mil pontos a cultura de gerenciamento de projeto e de gerenciamento de contratos, o que é inovador.

Existe algum programa voltado para a iluminação de monumentos?
Não especificamente. Primeiro temos de manter, colocar em ordem e deixar funcionando toda noite os 530 mil pontos da rede.

O que tem sido feito para evitar o roubo de fios de cobre?
Muito tem sido feito com as polícias civil, militar e a guarda civil do município, com o objetivo de amenizar os efeitos dos furtos de fios e cabos. Nos últimos anos também estamos substituindo os fios de cobre por outros de alumínio. São soluções simplórias que incluem mudar o circuito subterrâneo para o aéreo, dificultando o acesso, e envelopar os cabos com concreto e cimento. Contudo, são soluções grotescas e agressivas. Paralelamente a essas soluções mais brutas, tecnologicamente falando, estamos com inibidores mais apropriados e os órgãos de segurança estão empenhados. O estrago e muito grande As vezes não e só o prejuízo do preço desse material furtado mas todo circuito e prejudicado e fica comprometido.

Como novo diretor do Ilume, quais as prioridades da sua gestão?
Acima de tudo, queremos que a iluminação agregue valor sob o ponto de vista do turismo, dos negócios, para movimentar a economia. Primeiro manteremos o que já existe, depois remodelaremos, eficientizaremos e recuperaremos o parque, para rejuvenescer a rede, que tem idade média de 30 anos e que vem sofrendo um envelhecimento vegetativo muito acelerado e causando problemas de manutenção. Se houver previsão orçamentária, possibilidade de esforço e vontade política, ampliaremos e faremos novos pontos onde ainda não existe iluminação pública. Tenho uma programação detalhada que mostra o que faremos até dezembro de 2007. Contemplaremos todas as demandas que estavam represadas. Estou sentado nessa cadeira exercendo o papel de guardião e gestor da iluminação pública e quando faço isso eu preciso ter um método de trabalho. Quando eu tenho um método de trabalho imediatamente provoco o sentido da transparência. Todos ficarão sabendo que tudo será feito dessa maneira, quando será feito, por que e de que forma. Sob o ponto de vista legal, existe na administração pública a responsabilidade pela continuidade do serviço. É da responsabilidade de quem está no cargo tudo o que o precedeu.