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Publicado em: Agrimotor (Tecnologia) em 1 de Julho de 2006

Visão de longo prazo

Não é de hoje que cresce o numero de pesquisas e pesquisadores em direção ao setor sucroalcooleiro. Um das culturas mais rentáveis e, indiscutivelmente a válvula propulsora do agronegócio, chega a mais uma etapa: tornar-se a principal fonte de energia renovável do Brasil nos próximos anos.
Os passos fundamentais nessa direção começaram em 30 de junho, quando a Embrapa inaugurou a sede da Unidade de Execução de Pesquisa (UEP), em Rio Largo (AL). O prédio, de 520 m recebeu o reforço de novos pesquisadores e tornou-se base da instituição para estudos de agroenergia, com ênfase em cana-de-açúcar, nas regiões meio-norte e nordeste do país.
Na seqüência, em 11 de julho, o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) iniciou o funcionamento do Laboratório de Biologia Molecular Cana IAC, em Ribeirão Preto (SP), para dar nova perspectiva para o "Programa Cana IAC" e permitir a integração de pesquisas de base biotecnológica na região do centro de cana e, ainda, realizar experimentos em várias regiões do Brasil.
Ambas as instituições investiram pesado nas novas instalações para desenvolverem pesquisas semelhantes. A Embrapa obteve R$ 250 mil do Tesouro Nacional e o IAC R$ 235 mil da Fapesp*, para adequar os locais às necessidades dos projetos científicos.O laboratório de São Paulo adquiriu equipa mentos como foto documentador, termociclador, centrífuga, fonte e purificador de água — tecnologias destinadas ao aperfeiçoamento de pesquisas já em andamento no Centro de Cana IAC sobre caracterização de germoplasma, mapeamento genético e identificação de genes relacionados às pragas, doenças e tolerância à seca.
O objetivo da UEP de Alagoas é desenvolver o projeto "Produção Sustentável da Cultura de Cana-de-Açúcar para Bionergia em Regiões Tradicionais e de Expansão no Norte e Nordeste do Brasil' que envolve uma rede de pesquisa com dez unidades da Embrapa e outras instituições públicas e privadas. Já o IAC espera reduzir o tempo para o desenvolvimento de novos materiais e, assim continuar a fortalecer o setor por meio de ferramentas da biologia molecular - que auxilia o melhoramento inteiramente convencional.
Desde 1997, de acordo com a Embrapa, são realizadas inúmeras pesquisas desta cultura. Um dos motivos para o direcionamento e fortalecimento da cana se deve ao fato de os Estados do Nordeste apresentarem rendimentos mais baixos em relação aos do Centro-Sul do Brasil. Isto ocorre devido alguns fatores, dentre estes os períodos de estresse híbrido, visto como responsável pela elevada variabilidade dos índices de produção, aliado a problemas de manejo de solo e ao ataque de doenças e pragas.
A entidade ressalta ainda que para reverter essa situação todos trabalhos "estão concentrados nas linhas de melhoramento genético da cana, com o uso da transgenia visando resistência à tolerância ao estresse hídrico (falta de água), zoneamento da cultura e previsão da safra, construção de cenários futuros, irrigação, manejo da adubação nitrogenada, fixação biológica do nitrogênio pela cana-de-açúcar,desenvolvimento de métodos de controle biológico da broca gigante, aproveitamento de resíduos e colheita de cana crua"
Já as pesquisadoras de biologia molecular, Luciana Rossini Pinto e Silvana Creste Dias de Souza, responsáveis pelo projeto científico no Centro de Cana IAC, farão a partir de agosto, o mapeamento genético para identificar marca dores moleculares associados às regiões do genoma da cana (conjunto de genes de uma espécie). Os resultados obtidos poderão ser explorados para dirigir cruzamentos para características específicas, como o teor de sacarose.
De acordo com IAC, nos últimos oito anos, foram disponibilizadas 12 variedades de cana através do melhoramento convencional, que requer cerca de 10 anos de pesquisas até o lançamento da variedade."As ferramentas da biologia molecular podem proporcionar a obtenção de variedades de cana em um período menor de tempo em casos específicos com características que não poderiam ser obtidas por meio do melhora mento inteiramente convencional", esclarecem.
A pesquisa terá duas frentes: a primeira estudará e compreenderá um pouco mais a cana,"que devido ao genoma complexo não é tão simples estudá-la' afirmam. A segunda é prestar serviços de diagnósticos, por exemplo, do raquitismo da soqueira - doença que causa perda de produtividade transmitida em contato com o facão ou laminas de colhedora agrícola ao cortar uma planta doente e na seqüência uma planta sadia. As empresas interessadas neste serviço devem contatar o laboratório do Centro de Cana pelo telefone: 16-3919-5959' resumem.

* FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo)