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Publicado em: O Liberal (PA) (CIÊNCIA) em 3 de Janeiro de 2002

Eficácia do chá de quebra-pedra é comprovada

O chá de quebra-pedra, receita passada de mãe para filha para combater os doloridos cálculos renais, ganha comprovação científica. Não funciona exatamente como prega a crença popular, quebrando as pedras dos rins. Mas evita que elas se formem e ajuda a expeli-las. Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) estudaram a Phyllantus niruri, nome científico da planta da qual é feito o chá, e chegaram a algumas conclusões. Apesar de ainda não terem compreendido todos os mecanismos de ação do chá, já sabem que ele reverte a polaridade da carga dos cristais de oxalato de cálcio, o componente químico do qual é feita a maioria das pedras renais, impedindo que se aglomerem para formar os cálculos. As pesquisas também revelaram que o chá relaxa o sistema urinário, ajudando o organismo a eliminar as pedras. "Na pior das hipóteses, o chá de quebra-pedra é tão eficaz quanto as drogas convencionais usadas para tratar de cálculos renais", afirma Nestor Schor, teria sobre o estudo publicado na revista Pesquisa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Cristais - Além de evitar que os cristais se aglomerem e se prendam à parede celular, a infusão com Phyllantus niruri altera a estrutura dos oxalatos mais maléficos ao organismo. São os cristais monoidratados, que com a ação do chá se transformam em diidratados e têm maior dificuldade de aderir à parede celular. Os cálculos renais já atormentavam a vida dos egípcios há pelo menos sete mil anos. Cerca de 10% da população tem pedras nos rins, cujo tamanho varia em geral de um grão de areia ao de uma pérola. Apesar da comprovação da eficácia do chá, e da perspectiva de que possa substituir os tratamentos comumente indicados para sua retirada, como cirurgias ou ondas de choque, os pesquisadores são cautelosos. Não se deve tomar o chá indiscriminadamente, dizem. No mínimo, porque pode-se estar ingerindo uma infusão feita com a planta errada, já que não existe ainda um produto comercial de qualidade.