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Publicado em: O Globo (Sociedade) em 5 de Agosto de 2017

Nasa fecha parceria com Brasil para lançamento de satélite

Por Sérgio Matsuura

Missão pretende estudar fenômeno que interfere nos sinais de rádio

Buscar explicações para um estranho fenômeno capaz de interromper comunicações via satélite é o objetivo de uma missão conjunta entre pesquisadores da agência espacial americana (Nasa), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto prevê para 2019 o lançamento de um CubeSat, um pequeno satélite do tamanho aproximado de uma caixa de sapato, desenvolvido em parceria entre as três instituições.

O satélite ficará em órbita a uma altitude entre 350 km e 400 km, na região conhecida como ionosfera. É nessa parte da atmosfera que acontecem as bolhas de plasma equatoriais, fenômeno cujas causas ainda são desconhecidas. Elas provocam a chamada cintilação, uma variação rápida de amplitude e fase dos sinais de ondas de rádio, o que interfere na comunicação entre satélites e estações em terra.

— A degradação das comunicações e dos sinais de GPS está intimamente ligada a esse fenômeno — disse Jim Spann, cientista-chefe no Centro de Voo Espacial Marshall da Nasa, em Huntsville, e líder da missão SPORT (sigla em inglês para “tarefa de pesquisa de observações para previsão de cintilações”, numa tradução livre).

Pela parceria, a Nasa será responsável pelo desenvolvimento dos sensores, o ITA por construir o CubeSat e o Inpe ficará com as operações em terra. O Brasil foi escolhido por pesquisar intensamente o fenômeno. As bolhas de plasma ocorrem globalmente no período da noite, na zona equatorial, mas o problema é agravado no país por causa da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, onde existe um “mergulho” do campo magnético do planeta.

— A proteção dada pelo campo magnético é menor aqui no Atlântico Sul. E isso agrava o problema das bolhas — explicou Otávio Durão, gerente da missão no Inpe.

Para aplicações cotidianas, como o uso de serviços de mapa nos celulares, a interrupção no sinal GPS é apenas um aborrecimento, mas em alguns setores qualquer interferência é crítica. Na aviação, por exemplo, existe uma regulação internacional para que todos aeroportos operem pousos e decolagens com o sistema de posicionamento global, mas no país isso não é possível por causa das interferências nos sinais. Na agricultura, o GPS permite a aplicação de insumos com precisão.

— O objetivo é compreender por que essas bolhas são formadas, e dessa forma poder prevê-las — afirmou Durão.

O satélite terá seis sensores, que coletarão dados como intensidade do campo magnético e a velocidade dos íons. O equipamento pesa cerca de sete quilos, com volume de seis litros. A ideia é que este seja apenas o primeiro lançamento, para avaliar como o satélite irá se comportar, para que uma constelação seja formada, com coleta de dados em outras regiões.

— A missão SPORT fará um estudo sistemático da ionosfera em todas as longitudes ao redor do planeta, documentando as condições que disparam a formação das bolhas, com foco particular no setor da América do Sul — completou Spann.

Apesar da crise financeira que afeta o setor de pesquisas no país, Durão acredita que o projeto não será afetado, já que a maior parte dos investimentos virá dos EUA. A construção do satélite pelo ITA será financiada pela Fapesp, enquanto as operações no Inpe serão mantidas pelo custeio normal do instituto, sem necessidade de verbas extras.

Segundo Durão, além da importância científica, a parceria marca uma reaproximação entre os dois países, no setor espacial, desgastada pela expulsão do Brasil do consórcio de construção da Estação Espacial Internacional, em 2007.

RIO — Buscar explicações para um estranho fenômeno capaz de interromper comunicações via satélite é o objetivo de uma missão conjunta entre pesquisadores da agência espacial americana (Nasa), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). O projeto prevê para 2019 o lançamento de um CubeSat, um pequeno satélite do tamanho aproximado de uma caixa de sapato, desenvolvido em parceria entre os três institutos. Ele ficará em órbita aproximada entre 350 km e 400 km, na região conhecida como ionosfera.

É nessa parte da atmosfera que acontecem as bolhas de plasma equatoriais, fenômeno cujas causas ainda são desconhecidas. Elas provocam a chamada cintilação, uma variação rápida de amplitude e fase dos sinais de ondas de rádio, que interfere na comunicação entre satélites e estações em terra.

— A degradação das comunicações e dos sinais de GPS está intimamente ligada a esse fenômeno — disse Jim Spann, cientista-chefe no Centro de Voo Espacial Marshall da Nasa, em Huntsville, e líder da missão SPORT (Scintillation Prediction Observations Research Task).

Pela parceria, a Nasa será responsável pelo desenvolvimento dos sensores, o ITA irá construir o CubeSat e o Inpe ficará com as operações em terra. O Brasil foi escolhido para o projeto por pesquisar intensivamente o fenômeno. As bolhas de plasma acontecem globalmente, no período da noite, na zona equatorial, mas o problema é agravado no país por causa da Anomalia Magnética do Atlântico Sul, onde existe um “mergulho” do campo magnético do planeta.

— A proteção dada pelo campo magnético é menor aqui em cima, na região do Atlântico Sul. E isso agrava o problema das bolhas — explicou Otávio Durão, gerente da missão no Inpe.

Para aplicações cotidianas, como o uso de serviços de mapa nos celulares, a interrupção no sinal GPS é apenas um aborrecimento, mas em alguns setores qualquer interferência é crítica. Na aviação, por exemplo, existe uma regulação internacional para que todos os aeroportos operem pousos e decolagens com o sistema de posicionamento global, mas no país isso não é possível por causa das interferências nos sinais. Na agricultura, o GPS permite a aplicação de insumos com precisão.

— O objetivo é compreender por que essas bolhas são formadas, e dessa forma poder prevê-las — afirmou Durão.

O PRIMEIRO DE UMA CONSTELAÇÃO

O satélite terá seis sensores, que coletarão dados como intensidade do campo magnético e a velocidade dos íons. O equipamentopesa cerca de sete quilos, com volume de seis litros. A ideia é que este seja apenas o primeiro lançamento, para avaliar como o satélite irá se comportar, para que uma constelação seja formada, com coleta de dados em outras regiões.

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— A missão SPORT fará um estudo sistemático da ionosfera em todas as longitudes ao redor do planeta, documentando as condições que disparam a formação das bolhas, com foco particular no setor da América do Sul — completou Spann.

Apesar da crise financeira que afeta o setor de pesquisas no país, Durão acredita que o projeto não será afetado, já que a maior parte dos investimentos virá dos EUA. A construção do satélite pelo ITA será financiado pela Fapesp, enquanto as operações no Inpe serão mantidas pelo custeio normal do instituto, sem necessidade de verbas extras.

Segundo Durão, a parceria com a Nasa, além da importância científica, marca uma reaproximação no setor espacial entre os dois países, desgastada pela expulsão do Brasil do projeto de construção da Estação Espacial Internacional, em 2007.

Fonte: http://clipping.cservice.com.br/cliente/visualizarmateria.aspx?materiaId=33092841&canalId=293284&clienteId=iP2KrOnEaZQ=&end