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Publicado em: Valor Econômico (Especial - Pequenas e médias empresas) em 28 de Abril de 2017

BUG avança no controle biológico de pragas

Por Felipe Datt

Pouco antes de iniciar o mestrado em entomologia [ramo da zoologia que estuda os insetos] na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (Esalq-USP), o engenheiro agrônomo Diogo Carvalho conheceu o atual sócio, Heraldo Negri. Negri atuava com a criação de organismos parasitoides na universidade e tinha a ideia de montar uma empresa de controle biológico de pragas. "Como eu também queria me aprofundar no assunto, submetemos um projeto ao programa de Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas, da Fapesp", diz Carvalho.

Com R$ 70 mil de fomento, nascia, em 2001, a BUG Agentes Biológicos, que ficou incubada na Esalq até 2006.

A especialidade da BUG são os agentes macrobiológicos, ou seja, os insetos. A empresa faz a coleta da vespa, que já existe na natureza e é um inimigo natural das pragas, e as multiplica em laboratório. Ao ser liberada no campo, a vespa usa os ovos das lagartas e dos percevejos, que são prejudiciais à lavoura, para se multiplicar. Em suma, o inseto identifica os ovos da praga, se alimenta do conteúdo e coloca seus próprios ovos no local. Dali sairão duas ou três novas vespas que continuarão se multiplicando, mantendo as pragas abaixo do nível de dano à plantação.

A técnica pode ser utilizada em qualquer cultura que seja afetada por lagartas e percevejos. "Nosso carro-chefe são a cana e a soja, mas atuamos também nas plantações de milho, feijão, algodão e hortifrúti."

A BUG tem um sistema industrial de produção de insetos em que desenvolve apenas uma espécie e a multiplica para cinco espécies de vespas, que atacam diferentes pragas no campo. "Enviamos o ovo parasitado ao produtor. Quando começam a nascer, as vespas são liberadas no campo."

O controle biológico de pragas permite que o produtor reduza o número de aplicações do pesticida. Apesar desse grande benefício, não foi fácil convencer os fazendeiros a adotar a proposta da empresa. Nos primeiros anos do negócio, quando abordavam o produtor, ele via a novidade com bons olhos. "Mas era difícil fazê-lo aplicar o produto em uma área extensa da propriedade. Ele testava pequenas quantidades em áreas limitadas da plantação, e depois era pressionado pelos vendedores de inseticidas, que diziam que a solução da BUG não funcionava."

Apenas no terceiro ou quarto ano de aplicação esse usuário passava a ser um cliente interessante para a empresa. "Tivemos de mudar a forte cultura de emprego de químicos no Brasil, que vinha de gerações."

Para isso, tiveram que se reunir diversas vezes com grandes produtores ou associações de produtores de cana e cereais, além de fazer visitas ao campo para mostrar a solução. Deram muitas palestras.

A quebra de barreira foi um trabalho de formiguinha. Até hoje, a BUG enfrenta resistências, por conta da imensa área de produção agrícola no Brasil. Mas um problema grave da agricultura nacional potencializou nossas vendas. "Como o país é tropical, não há uma quebra de ciclo, como ocorre na Europa por conta do inverno, e as pragas se tornam resistentes aos inseticidas. Por isso, muitos produtores que inicialmente não acreditavam na técnica da BUG, mas que não conseguiam controlar as pragas de outra forma, passaram a adotar a nossa solução."

Atualmente, a empresa tem mais de 500 clientes em carteira. Em 2008, recebeu aporte de R$ 1,5 milhão do fundo Criatec. Em 2009, o fundo Triguer realizou outro aporte de RS 1,5 milhão. Em 2014, veio um terceiro investimento, do Fundo Rosag. Com as mudanças, em 2016, a BUG faturou R$ 12 milhões em 2016, e deve chegar a R$ 20 milhões neste ano.

Da PEGN